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Mostrando postagens com o rótulo Doutorado Sanduíche

#103: Non, Je Ne Regrette Rien

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Oui, c'est fini. É chegado o fim da viagem para a França. O sanduíche frustrado que terminou em um combinado de estágio/ workshop /lua-de-mel.  Depois da breve semana de turista solitário e da maratona de trabalho em Marseille, voltei à Paris, devidamente acompanhado de minha esposa Jessica, para os últimos dias da estadia. Foram os últimos dias dentro desse filme mágico em que se passa cada segundo dessa cidade. Pude revisitar alguns lugares e completar passeios, como as subidas à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, e conhecer novos, como o incrível Museu Rodin. Claro, mais um dia dedicado integralmente ao Louvre, agora com a melhor companhia possível. E ainda resta muita Paris para ser conhecida em viagens futuras, que espero muito que aconteçam. Quem sabe até morar na Cidade Luz. A volta ao Brasil e, de brinde, à toda a realidade inerente a mesma, é como acordar de um sonho (falarei melhor disso melhor nas próximas postagens, claro). A canção francesa escol...

#102: Sultans of Swing

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Quanta coisa que tem acontecido por aqui que mal consegui parar para escrever. Vou tentar não me esquecer de nada, então. A segunda semana de trabalho foi preenchida por workshop organizado aqui pelo grupo que visito, intitulado Excited States Bridging Scales . Foi o evento de tema mais específico que já participei, totalmente voltado para dinâmica de estados excitados. Também é bastante diferente do que eu faço. Aprendi bastante sobre os problemas específicos da área e de coisas que gosto e não gosto nela. Assisti grandes palestras de grandes pesquisadores. Valeu muito à pena, ainda que me tenha dado um certo pânico quanto à ingressar na mesma. Não tenho certeza se isso é pra mim e também fico chateado de não estar tão bem preparado quanto deveria para a mesma. A sessão de poster foi muito positiva  também . Apresentei praticamente durante todo o tempo reservado. Quase ganhei o prêmio de melhor  pôster, mas empatei com uma menina e, por falta de critério, a...

#101: Luz dos Olhos

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O que você faria no seu trabalho que não fizeram ainda?  Com essa pergunta começou meu estágio em Marseille. Pergunta assustadora, confessor. Talvez porque ninguém nunca tenha me perguntado isso. Talvez porque alguém já devesse ter me perguntado isso antes. A resposta, bem, eu não consegui responder imediatamente, o que foi um bocado frustrante.   A diferença entre como se lida com o trabalho e com a ciência ficou evidente logo nesses meus primeiros minutos com o professor Barbatti. Por mais que tivéssemos um planejamento do que seria feito, muitos pontos ainda estavam em aberto e era necessário decidir como aproveitar melhor o pouco tempo que terei aqui. Agora está claro também como será pouco tempo.  O aproveitamento do tempo de trabalho é, provavelmente, a maior diferença em relação ao que é feito no Brasil. É incrível como se consegue fazer tanto em tão pouco tempo, como o foco é total durante as horas na universidade. Já em casa, bem, aí você ...

#100: La Vie En Rose

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Paris é mágica.  Nos últimos dias, tive uma experiência quase cinematográfica perdida no meio desta Trilha de futuro cientista. Dias de turista na capital da França (acompanhadas de noites de fechamento de um relatório chatíssimo de projetos da FAPERJ). Nesses dias, visitas aos  museus de   Orangerie, Orsay e a o Louvre (que recebe o novo título de "lugar favorito do Mundo"), além dos outros pontos turísticos tradicionais, como Torrei Eiffel, Arcos do Triunfo e a Bastilha. Não precisa nem de roteiro. É só sair andando pelas ruas sem rumo e ir parar em um século antigo ou em um filme de Woody Allen. Uau. Até o ar em Paris é diferente. São a arquitetura, a temperatura, os sons, os aromas. Isso a coloca na primeira prateleira de "lugares mais incríveis que visitei no mundo", junto do Deserto do Atacama. São pequenos (e fantásticos!) presentes dessa vida de doutorando, que alguma vantagem tem que ter. É um crescimento pessoal incrível poder conhecer uma cidade ...

#099: To France

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Muito tempo atrás, havia escolhido esse divertido cover de  Mike Oldfield,  feito pelo  Blind Guardian , para fazer parte da minha Trilha internacional. Justo ter uma banda tão presente na minha vida em um momento importante como esse. Por diversos momentos, pensava, com tristeza, que não poderia usá-la. Hoje, fruto da minha própria persistência, aqui está ela. Ainda é um pouco difícil acreditar que esse momento tenha, enfim, chegado. Embarco para a França em algumas horas para realizar um estágio no laboratório do professor Mario Barbatti na Aix-Marseille Université . Um sonho realizado, ou uma espécie de prêmio de consolação.  Essa oportunidade dada à mim por mim mesmo depois da patética recusa de pedido de bolsa sanduíche ao CNPq e ao próprio Programa de Pós-Graduação daqui, como já contei em várias postagens anteriores.  A importante conquista da bolsa CNPq para o doutorado, com a tal taxa de bancada para subsidiar meus gastos, que já permitiu diverso...

#093: Rainbow in the Dark

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Um apanhado de boas notícias. Sim, para variar um pouco as postagens!  Tive um artigo finalmente aceito e publicado depois de uns quatro meses em avaliação só nessa revista. Mais um pouquinho da tese ganhando oficialidade científica. Enquanto isso, tenho pelo menos três artigos para trabalhar no texto e, infelizmente, continuo péssimo nessa produtividade. Espero que os Jogos Olímpicos que se aproximam, e vão significar muitos e muitos dias de casa, ajudem a colocar essas coisas em dia. Uma etapa importante foi terminada para Jessica também. Ela finalmente conseguiu concluir a graduação em Química e ser aprovada com bolsa para o Mestrado aqui na UFRJ também. É um peso enorme que tiramos das costas, agora que temos planos mais claros para os próximos meses e um grande alívio financeiro também. Torço para que ela não seja infectada pelas minhas desilusões acumuladas, porque não é uma boa forma de se começar uma Trilha. E, também, uma boa notícia que anunciei algumas posta...

#075: Tempo Perdido

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Uma notícia ruim parece só se tornar verdade ao contarmos para outras pessoas. Tenho tentado adiar ao máximo contar às demais pessoas que meu pedido de bolsa doutorado sanduíche foi negado.  Apesar dos avaliados científicos do projeto terem se mostrado favoráveis, inclusive com diversos elogios ao orientador no exterior e à pesquisa proposta, a justificativa que recebi do CNPq foi  "Sua proposta não pode ser atendida frente à disponibilidade de recursos para esta demanda.". Não apenas eu recebi essa resposta, como a mesma foi padrão a todos (isso mesmo, todos!) os inscritos. Nenhuma bolsa foi conferida, o que é uma falta de respeito aos estudantes e pesquisadores que disponibilizaram de tempo para escrever as propostas e tudo mais. Era melhor fossem honestos e que não tivessem aberto o edital, mas, no Brasil, as aparências e políticagens vem sempre mais importantes. O que sinto é uma mistura de fracasso e vergonha. Não é nada fácil. Havia muita coisa em jogo aqui. Pl...

#064: What's Up?

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O dia de hoje talvez seja um dos mais marcantes dessa trilha de doutorado. Enviei, finalmente, o pedido de bolsa de doutorado sanduíche para o Programa Ciência Sem Fronteiras do Governo Federal. Como contei anteriormente, a ideia é poder passar um ano, da parte final do doutorado, na Aix-Marseille Université e trabalhar com o professor Mario Barbatti em dinâmica molecular de estados excitados.  Escrevi o projeto sozinho e a aprovação do mesmo (resultado que terei apenas em 15 de dezembro), seria uma conquista muito importante e motivadora, ainda mais tendo em vista a falta de apoio que recebi do programa de pós-graduação aqui neste tempo. Também não preciso repetir o quanto acredito que isso possa ser importante para a minha formação como cientista na sua forma mais ampla. Nesse momento me dei conta que me encontro no meio desta trilha de doutorado. Completaram-se, neste mês, dois anos do início dessa etapa final da pós-graduação. Confesso que tem sido muito mais difícil do q...

#056: FourFiveSeconds

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Nestes últimos dias eu, enfim, terminei de escrever meu projeto de doutorado sanduíche. Estou bastante orgulhoso do resultado, para ser bem sincero. Trabalhei nisso praticamente sozinho, trocando alguns e-mails para correções e adequações com o professor Mario Barbatti. Ficou bem bonito o resultado. Se tudo correr bem, terei uma belíssima tese de doutorado no final dessa trilha, em resposta à vários questionamentos meus, compartilhados aqui, sobre a relevância que o trabalho deveria ter. Bem, para tudo correr bem, eu vou ter é que correr um monte durante esse período de estágio. Se de um lado fico feliz com as perspectivas e com a carta de aceite que o professor Barbatti escreveu para mim (sim, essa carreira tem muitos poucos momentos de reconhecimentos e até os menores valem muito). Devo ir mesmo à Aix-Marseille Université diretamente, onde o professor Mario deve tomar posse no mês de Setembro. Agora preciso correr atrás de um monte de burocracias, como o exame de inglês exigido,...

#054: Maybe I'm Amazed

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Ai, que época mais esquisita. Uma semana de feriado. UMA SEMANA. Poderia ser muito bom se eu simplesmente fosse pra longe descansar só que não tem sido nada disso. Me divirto até um pouco jogando um pouco de PS3 mas tenho mesmo é que terminar esse projeto para o pedido da bolsa. De verdade, estou ficando orgulhoso de como está ficando o texto. Queria mesmo era depois gritar aos sete ventos que escrevi tudo sozinho e que meu orientador parece é pouco se importar com isso. Talvez prefira seus alunos "nota 10 no concurso" ou "físicos puros". Bem, eu prefiro é ser honesto. Essa uma semana mais serviu para quebrar o ritmo dos horários de dormir e acordar do que para, de fato, algum descanso. Consegui aproveitar para ir à academia e caminhar com alguma regularidade, o que tem sido bastante positivo. Também estou me acostumando com essa vida de quase-toda-comida-não-tem-gosto. Ao menos, parece estar dando resultado. Já tava na hora de eu cuidar um pouco de mim à sério...

#053: Walk

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Hoje completo 27 anos de idade em meio à esta Trilha de Doutorando.  Aniversário é uma curiosa data arbitrária que nos faz refletir sobre o nosso passado e como viemos parar no ponto da vida onde estamos. Reavaliar escolhas, ponderar decisões, imaginar outras consequências. É um bom exercício de vida. Tenho tido uma rotina diferente nas últimas semanas, acordando tão cedo para acompanhar minha irmã caloura ao Fundão. Avistei, então, uma oportunidade para retornar à academia e tentar melhorar essa situação de saúde e peso. Já tentei isso diversas vezes sem muito sucesso, pois acabo ficando desestimulado e irritado em passar o tempo se mexendo ao invés de trabalho.  Ainda assim, dessa vez acredito que vá ser diferente. Estou um pouco mais motivado com essa possibilidade toda de viagem e com uma rotina mais organizada. Pelo mais que seja importante e prazeroso, não posso deixar que o doutorado acabe comigo. Para comemorar esse aniversário, consegui reunir os amigos, ...

#052: Todo Amor

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Enquanto me acostumo com a nova rotina de acordar cedo para ir com a minha irmã para o Fundão e para as provas do CEDERJ durante o final de semana, vou tocando essa vida de doutorado. Tenho conseguido alguns avanços com o trabalho de estados de camada interna de compostos aromáticos, que à muito me ocupa, por suas tantas nuances. Também fiz uns cálculos bem bonitos para os estados do tiofeno em fase gasosa, colaborando com o grupo experimental do professor Gerardo Gerson. No meio disso, muitas e muitas máquinas dando problemas e, claro, só eu para consertar. Uma atrás da outra, como um efeito em cascata. E junto com elas, comecei a escrever os tutorias de como instalar o sistema e os programas nas máquinas de cálculo. Eu estou é bem cansado disso tudo. Por isso também tenho brigado pela minha oportunidade de passar (quem sabe) um ano no exterior, podendo me dedicar unicamente à atividade de pesquisa, sem essa sobrecarga de administrador do laboratório. Por sua v...

#050: Bloodstream

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Ninguém disse que a estrada do doutorado seria das mais simples, retas e bem asfaltadas de todas. Também não poderia imaginas os buracos pelos quais já tive que passar, as passagens sinuosas que tive que subir e descer, muito menos as tempestades que poderiam arrematar pelo caminho.  As últimas semanas não tem sido nada fáceis. O colapso financeiro da Universidade, manifestado pela greve do pessoal de limpeza e as instabilidade da rede de computadores, causado por um corte de verbas do Governo, combinado com uma demora na aprovação do orçamento da União para esse ano de 2015. Bem, é no mínimo de se estranhar esse tipo de medida quando a Presidente que adota o lema "Brasil: Pátria Educadora".  Peguei minha namorada Jessica e fomos tirar alguns dias de folga nessa última semana (que deveria ser de início de semestre mas adiada pelas consequências da greve). Como se tornou impossível trabalhar e todo e qualquer esforço estava sendo frustrado, pensei que seria uma boa id...