#106: Apesar de Você

E começa 2017.

Assim como no ano passado, fomos à praia do Leme para assistir a queima de fogos da virada. programa tradicional de carioca. Eu, Jessica e Gabi fomos para a casa do Fantuzzi, com nossos amigos tradicionais da UFRJ e, como diria Bruno Aleixo, mais um resto de gente. Tinha tudo para ser um sucesso como no ano anterior mas, de fato, não o foi.  Um ano atrás, havia sido o palco do meu pedido de casamento e muito da minha vida mudou de lá para cá.

Levamos dois pratos, um cachorro-quente de forno (que eu mesmo fiz) e um escondidinho de carne moída, afim de evitar o único problema do ano anterior, que havia sido a falta de comida causada pelos organizadores aprendizes de alcoólatras. Foi a melhor versão desta receita que fiz, talvez pelo acréscimo do ingrediente secreto (catchup que sempre sobra do McDonald's).

A falta de proximidade entre as pessoas, diluída pela presença um monte de "apenas conhecidos" e, até mesmo, uma completa desconhecida (que a Laura conheceu no ônibus!) (e que não me lembro o nome e vou apenas chamá-la de Blablá, em referência óbvia), estragaram um pouco o clima. As conversas ficaram em generalidades ou obviedades que pouco entretem. Não é o meu tipo de programa.

O ponto realmente ruim, e completamente incontrolável, foi a confusão na praia no final dos fogos. Um clássico arrastão carioca, patrocinado pela crise total e completa do nosso Estado. Tivemos que correr, já no fim da queima de fogos, para evitar problemas. É terrível passar por esse tipo de violência e insegurança. Um verdadeiro choque de realidade. Foi muito frustrante para um grupo de pessoas que planejava se despedir de um ano frustrante. Ao menos, nada sofremos além do estresse. 

O pensamento que guardei sobre esse novo ano é que a forma com que se celebra essa passagem tem mais a ver com o ano que ficou para trás do que com o próximo. O novo ainda tem mais 364 dias para ser escrito, até sua passagem. Que seja um grande ano para todos nós, e também para o nosso Brasil. E será.

Curiosidade: Encontramos um distinto professor fazendo uma oferenda para Iemanjá na praia após os fogos. Tão constrangedor para ele quanto divertido para nós.


"Apesar de você amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia
Como vai proibir quando o galo insistir em cantar
Água nova brotando e a gente se amando sem parar"

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