#100: La Vie En Rose

Paris é mágica. 

Nos últimos dias, tive uma experiência quase cinematográfica perdida no meio desta Trilha de futuro cientista. Dias de turista na capital da França (acompanhadas de noites de fechamento de um relatório chatíssimo de projetos da FAPERJ). Nesses dias, visitas aos  museus de Orangerie, Orsay e ao Louvre (que recebe o novo título de "lugar favorito do Mundo"), além dos outros pontos turísticos tradicionais, como Torrei Eiffel, Arcos do Triunfo e a Bastilha. Não precisa nem de roteiro. É só sair andando pelas ruas sem rumo e ir parar em um século antigo ou em um filme de Woody Allen. Uau.

Até o ar em Paris é diferente. São a arquitetura, a temperatura, os sons, os aromas. Isso a coloca na primeira prateleira de "lugares mais incríveis que visitei no mundo", junto do Deserto do Atacama. São pequenos (e fantásticos!) presentes dessa vida de doutorando, que alguma vantagem tem que ter. É um crescimento pessoal incrível poder conhecer uma cidade central na formação da nossa civilização, banhada à cultura e história. Visitar o Egito, a Grécia e a Mesopotâmia no mesmo Louvre que guarda a (superestimada) La Gioconda e a inspiradora La Liberté guidant le peuple. Tanta coisa que não cabe aqui nas minhas pobres palavras digitadas.

De fato, a música é uma das coisas que menos aprecio aqui. É tudo silencioso demais para um brasileiro barulhento e batuqueiro como eu. Detesto Edith Piaf, por exemplo. Mas é uma música cantada por ela que fiquei cantarolando esses dias todos, depois de ouvir de uma violinista do metrô.

É, eu estou maravilhado e não sei precisar o motivo. Se é por conhecer o (Primeiro) Mundo de verdade ou se pela própria Paris. Se por me sentir parte desse mundo por alguns momentos ou por me permitir refletir sobre muito do que somos nestas terras tupiniquins.

Amanhã partirei para Marselha e começo meu estágio na Aix-Marseille Université. Se a experiência científica for tão positiva quanto a pessoal, será uma daquelas melhores épocas da vida. Como foi aquele momento que comia um cachorro-quente sentado no meio fio do Obelisco, olhando a Torre Eiffel se acender para saudar a nova hora que começava. Como foram tantos outros e muitos outros ainda serão.

(E que postagem mais incrível que o Universo reservou para a Trilha #100, hein?)


"Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose.

Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
C'est lui pour moi,
Moi pour lui dans la vie,
Il me l'a dit, l'a juré
Pour la vie.

Et dès que je l'aperçois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat"

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