#102: Sultans of Swing
Quanta coisa que tem acontecido por aqui que mal consegui parar para escrever. Vou tentar não me esquecer de nada, então.
A segunda semana de trabalho foi preenchida por workshop organizado aqui pelo grupo que visito, intitulado Excited States Bridging Scales. Foi o evento de tema mais específico que já participei, totalmente voltado para dinâmica de estados excitados. Também é bastante diferente do que eu faço. Aprendi bastante sobre os problemas específicos da área e de coisas que gosto e não gosto nela. Assisti grandes palestras de grandes pesquisadores. Valeu muito à pena, ainda que me tenha dado um certo pânico quanto à ingressar na mesma. Não tenho certeza se isso é pra mim e também fico chateado de não estar tão bem preparado quanto deveria para a mesma.
A sessão de poster foi muito positiva também. Apresentei praticamente durante todo o tempo reservado. Quase ganhei o prêmio de melhor pôster, mas empatei com uma menina e, por falta de critério, acabaram decidindo na sorte. Bem, sorte não é exatamente meu ponto forte. Fiquei satisfeito, ainda mais por estar tão fora da minha área ali. Queria muito voltar com essa vitória, ainda mais com um trabalho que fiz da minha cabeça e o Alexandre nem viu o pôster. Fica pra próxima.
Também apresentei meu trabalho na reunião de grupo do pessoal da teórica da Aix-Marseille Université. Fiz um apanhado de tudo que já fizemos de estados de camada interna, o que foi muito positivo. Todos ficaram interessados sobre as peculiaridades e aplicações deste tipo de estado excitado. Também consegui fazer uma boa propaganda da UFRJ e do Brasil, o que foi muito divertido.
As pessoas daqui são bem legais, aliás. Não só os professores mas também os outros alunos, como Josene, Shuming, Ljiljana e Cláudia. É sempre proveitoso conhecer gente de lugares diferentes, conversar sobre trabalhos, diferenças e sobre os seus países e costumes (e futebol, claro!).
Enquanto preparo os meus macarrões do jantar para os últimos dias aqui, a saudade de casa só fica maior. Amanhã Jessica pega um trem e vem me encontrar para os últimos dias em Marseille. Depois, vamos juntos à Paris para viver nossa imprevista (e invejada) lua-de-mel atrasada.
Vou sentir um pouco de falta desses dias solitários, apesar de tudo. De caminhar sozinho (e pegar uns Pokémon) e tomar as pequenas decisões mundanas. A música tem sido minha principal companhia, mesmo que seja um clássico do rock usado para uma paródia de entrevista decadente do Vanderlei Luxemburgo.
Agradeço ao professor Barbatti por me receber, pela oportunidade de trabalhar em um projeto dele e pelas ideias sobre meu próprio trabalho. Espero voltar para cá no final dessa Trilha, quem sabe. Apesar de tudo, não vejo a hora de voltar à vida.
"And then the man, he steps right up to the microphone
And says, "At last", just as the time bell rings
Goodnight, now it's time to go home
And he makes it fast with one more thing
We are the sultans, we are the Sultans of Swing"