#050: Bloodstream
Ninguém disse que a estrada do doutorado seria das mais simples, retas e bem asfaltadas de todas. Também não poderia imaginas os buracos pelos quais já tive que passar, as passagens sinuosas que tive que subir e descer, muito menos as tempestades que poderiam arrematar pelo caminho.
As últimas semanas não tem sido nada fáceis. O colapso financeiro da Universidade, manifestado pela greve do pessoal de limpeza e as instabilidade da rede de computadores, causado por um corte de verbas do Governo, combinado com uma demora na aprovação do orçamento da União para esse ano de 2015. Bem, é no mínimo de se estranhar esse tipo de medida quando a Presidente que adota o lema "Brasil: Pátria Educadora".
Peguei minha namorada Jessica e fomos tirar alguns dias de folga nessa última semana (que deveria ser de início de semestre mas adiada pelas consequências da greve). Como se tornou impossível trabalhar e todo e qualquer esforço estava sendo frustrado, pensei que seria uma boa ideia deixar o Rio de Janeiro e o Fundão um pouco para trás, respirar ares limpos dessas frustrações e tomar impulso para as próximas jornadas de trabalho.
O resultado dessa quase-semana na minúscula e deliciosa Penedo foi o melhor possível para nós dois. Foi possível conversar, se distrair, comer bem (importante registrar isso aqui) e desfrutar da companhia um do outro. Bom para se livrar dos efeitos que o Dementador da Minerva costuma causar, comendo nossos sonhos e esperanças.
Dentre maravilhosos pratos típicos alemães e finlandeses e outras ótimas pizzas, hambúrgueres e chocolates, algumas reflexões bem úteis sobre as próximas curvas que pretendo virar nessa estrada. Consegui amadurecer um pouco melhor a ideia de tentar o doutorado sanduíche. Pratiquei um exercício de avaliação profunda do meu tema de tese e que tipo de trabalho poderia levar o mesmo à um outro patamar científico. Também em que tipo de orientador estrangeiro seria positivo de trabalhar, não apenas em termos de aprendizado em química teórica mas também em desenvolvimento como profissional dentro da atual carreira científica. Oportunidades, descobertas, publicações, bom relacionamento (com o meu cabeça-dura orientador), crescimento pessoal e profissional, futuras colaborações.
Com todas as cartas na mesa e com o jogo devidamente conhecido, decidi escrever para o professor Mario Barbatti, atualmente no Max Plack Institute de Mülheim, na Alemanha. Ainda que no exterior, é antigo conhecido por ter feito seu doutorado na UFRJ e possuir relações antigas de colaborações com as pessoas daqui, inclusive meu orientador. Além da admiração que possuo por ele e sua carreira científica moderna, acredito ser uma ótima estratégia para conseguir tempo de tocar o trabalho de colaboração começado lá no WATOC. Os argumentos são bons para todos os lados: convencer orientadores e universidades. Agora é aguardar.
Tenho escutado muito o X. É um álbum realmente muito bom. Ed Sheeran atingiu, com seu violão nas coisas, novas possibilidades dentro do atual cenário da música pop. Com combinações de boas melodias e de rimas de rap, que muito agradam os mais jovens, é figura certa em premiações musicais e, bem, a maior delas sempre será a preferência de tocar no meu iPod. A concorrência não é pouca, hein. Bloodstream é um ótimo exemplo das boas canções desse disco, com um dedilhado agradável, um piano suave e um refrão marcante. Ed tem feito parte da minha trilha, sem dúvida. Essa sempre me lembrará a volta para casa no BRT da noite.
"I've been spinning out of time
Couple women by my side
I got sinning on my mind, sipping on red wine
I've been sitting here for ages
Ripping out the pages
How'd I get so faded, how'd I get so faded
Oh, no, no, don't leave me lonely now
If you loved me how'd you never learn
Oh, colour crimson in my eyes
One or two could free my mind
This is how it ends
I feel the chemicals burn in my bloodstream"