#051: Make Believe

Essa semana minha irmã Gabriela começou a sua própria trilha pelo curso de Graduação em Letras - Literatura na amada/odiada Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tenho acordado cedo pacas todos esses dias para ir treinando ela de como se virar no mundo do transporte público e do ensino superior.

Essa é uma época da vida muito bacana. Lembro meus primeiros dias, enfrentando o maldito 910 abarrotado de gente, parando em tudo que é ponto de ônibus de Madureira até o Fundão, as janelas sujas, tomar choque ao tocar a campainha para descer, e até algumas baratinhas. A música já era minha principal companhia desde essa época. Lembro que na primeira semana consegui escutar todos os álbuns do Blind Guardian, por exemplo.  Me lembro também de lutar contra o sono nas aulas de Cálculo I (com um ótimo professor, por sinal), das divertidas horas de estágio para conclusão do técnico no Laboratório de Radioisótopos, de plantar uma árvore na recepção dos calouros. Das formaturas do Ensino Médio e do Técnico no Cefet-Química, despedidas dos amigos e dos eternos professores. De fato foi um período até um pouco solitário, mas que me cobrou muita reação às novidades, sendo igualmente importante na minha formação como pessoa, assim como espero que seja para ela.

Eu fui à um show do Angra no Circo Voador bem na minha primeira semana de aula. Foi uma bela aventura. Lembro que fiquei um bom tempo ouvindo os discos deles depois disso. Haviam lançado bons discos nessa época, diferentemente do que acontece hoje em dia. O fato é que passei a gostar tão pouco dos membros da banda que não consigo mais gostar das músicas. Esse álbum, Holy Land, cheio das influências brasileiras que são um diferencial (completamente esquecido atualmente) da banda é um dos meus favoritos, e dos que mais ouvia nessa época. Make Believe me lembra imediatamente as viagens para o Fundão com o sentimento de que coisas boas estavam para acontecer. E é assim que me sinto hoje também.

Quanto à minha irmã, digo para não dar ouvidos para a funcionária mal-humorada que fez questão de dizer, no primeiro dia de aula, que a UFRJ não é a Harvard. Cada um tem a sua própria trilha e é o que você faz dela que faz a diferença para alcançar o lugar onde pretende chegar. É só fazer-de-conta.


"Make believe
There's no sorrow in your eyes
Can't you see
We could never get back from the start
Minutes waiting, life's been wasted
Maybe I wanna die some other day
Another day"

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