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#105: Olhos Certos

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Tem tudo sido uma correria sem fim desde a volta da França. Jessica tem uma avalanche de provas e avaliações do mestrado pendentes e eu, bem, eu tento ajudar ela para poder estudar e render o melhor possível. Tenho passado bastante tempo em casa, cuidando das atividades domésticas pendentes, estudando com ela e até jogando um PES2017 pra passar o tempo. Confesso que não é lá a minha rotina favorita, mas é o que temos para a reta final desse ano, além das celebrações tradicionais. Uma das coisas mais legais de agora ter duas famílias para passar o Natal é que, como isso é novidade, temos um passe disputado para a presença. Assim, não precisamos nos preocupar com cozinhar (e enfrentar as filas catastróficas do mercado) (e nem gastar dinheiro com isso!), já que comeremos os pratos típicos do fim do ano naturalmente. E comida talvez seja a melhor coisa do Natal. Ainda assim, resolvemos cozinhar para o almoço de final de ano lá do Departamento de Físico-Química. Como a ideia era le...

#104: Se Gritar Pega Ladrão

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Estou de volta ao Brasil e à (a)normalidade dessa vida de doutorando. Ao menos no trabalho,  o clima está tranquilo. Atualizei o chefe das atividades realizadas por lá, enquanto tento ajudar Jessica a colocar as disciplinas do mestrado dela em dia. Agora tenho muito o que fazer aqui pelos próximos meses, para concluir efetivamente este doutorado. Do panorama mais amplo, é um pouco diferentes. Durante o tempo que estive fora, dois ex-governadores do Estado (falido por eles!) do Rio de Janeiro estão atrás das grades: Sérgio Cabral e Garotinho. O (ex ?) pastor Crivella foi eleito como Prefeito do Rio de Janeiro, contra Marcelo Freixo. Vitória perigosa da Igreja Universal, em momento de tanta intolerância. O golpista (presidente?) Temer é eleito "Homem do Ano" por revista enquanto executa seus planos de destruir a educação básica, os direitos trabalhistas e de vender (chamam de privatizar, né?) as riquezas do país.  É muita dureza voltar para casa debaixo disso tudo.  ...

#103: Non, Je Ne Regrette Rien

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Oui, c'est fini. É chegado o fim da viagem para a França. O sanduíche frustrado que terminou em um combinado de estágio/ workshop /lua-de-mel.  Depois da breve semana de turista solitário e da maratona de trabalho em Marseille, voltei à Paris, devidamente acompanhado de minha esposa Jessica, para os últimos dias da estadia. Foram os últimos dias dentro desse filme mágico em que se passa cada segundo dessa cidade. Pude revisitar alguns lugares e completar passeios, como as subidas à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, e conhecer novos, como o incrível Museu Rodin. Claro, mais um dia dedicado integralmente ao Louvre, agora com a melhor companhia possível. E ainda resta muita Paris para ser conhecida em viagens futuras, que espero muito que aconteçam. Quem sabe até morar na Cidade Luz. A volta ao Brasil e, de brinde, à toda a realidade inerente a mesma, é como acordar de um sonho (falarei melhor disso melhor nas próximas postagens, claro). A canção francesa escol...

#102: Sultans of Swing

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Quanta coisa que tem acontecido por aqui que mal consegui parar para escrever. Vou tentar não me esquecer de nada, então. A segunda semana de trabalho foi preenchida por workshop organizado aqui pelo grupo que visito, intitulado Excited States Bridging Scales . Foi o evento de tema mais específico que já participei, totalmente voltado para dinâmica de estados excitados. Também é bastante diferente do que eu faço. Aprendi bastante sobre os problemas específicos da área e de coisas que gosto e não gosto nela. Assisti grandes palestras de grandes pesquisadores. Valeu muito à pena, ainda que me tenha dado um certo pânico quanto à ingressar na mesma. Não tenho certeza se isso é pra mim e também fico chateado de não estar tão bem preparado quanto deveria para a mesma. A sessão de poster foi muito positiva  também . Apresentei praticamente durante todo o tempo reservado. Quase ganhei o prêmio de melhor  pôster, mas empatei com uma menina e, por falta de critério, a...

#101: Luz dos Olhos

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O que você faria no seu trabalho que não fizeram ainda?  Com essa pergunta começou meu estágio em Marseille. Pergunta assustadora, confessor. Talvez porque ninguém nunca tenha me perguntado isso. Talvez porque alguém já devesse ter me perguntado isso antes. A resposta, bem, eu não consegui responder imediatamente, o que foi um bocado frustrante.   A diferença entre como se lida com o trabalho e com a ciência ficou evidente logo nesses meus primeiros minutos com o professor Barbatti. Por mais que tivéssemos um planejamento do que seria feito, muitos pontos ainda estavam em aberto e era necessário decidir como aproveitar melhor o pouco tempo que terei aqui. Agora está claro também como será pouco tempo.  O aproveitamento do tempo de trabalho é, provavelmente, a maior diferença em relação ao que é feito no Brasil. É incrível como se consegue fazer tanto em tão pouco tempo, como o foco é total durante as horas na universidade. Já em casa, bem, aí você ...

#100: La Vie En Rose

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Paris é mágica.  Nos últimos dias, tive uma experiência quase cinematográfica perdida no meio desta Trilha de futuro cientista. Dias de turista na capital da França (acompanhadas de noites de fechamento de um relatório chatíssimo de projetos da FAPERJ). Nesses dias, visitas aos  museus de   Orangerie, Orsay e a o Louvre (que recebe o novo título de "lugar favorito do Mundo"), além dos outros pontos turísticos tradicionais, como Torrei Eiffel, Arcos do Triunfo e a Bastilha. Não precisa nem de roteiro. É só sair andando pelas ruas sem rumo e ir parar em um século antigo ou em um filme de Woody Allen. Uau. Até o ar em Paris é diferente. São a arquitetura, a temperatura, os sons, os aromas. Isso a coloca na primeira prateleira de "lugares mais incríveis que visitei no mundo", junto do Deserto do Atacama. São pequenos (e fantásticos!) presentes dessa vida de doutorando, que alguma vantagem tem que ter. É um crescimento pessoal incrível poder conhecer uma cidade ...

#099: To France

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Muito tempo atrás, havia escolhido esse divertido cover de  Mike Oldfield,  feito pelo  Blind Guardian , para fazer parte da minha Trilha internacional. Justo ter uma banda tão presente na minha vida em um momento importante como esse. Por diversos momentos, pensava, com tristeza, que não poderia usá-la. Hoje, fruto da minha própria persistência, aqui está ela. Ainda é um pouco difícil acreditar que esse momento tenha, enfim, chegado. Embarco para a França em algumas horas para realizar um estágio no laboratório do professor Mario Barbatti na Aix-Marseille Université . Um sonho realizado, ou uma espécie de prêmio de consolação.  Essa oportunidade dada à mim por mim mesmo depois da patética recusa de pedido de bolsa sanduíche ao CNPq e ao próprio Programa de Pós-Graduação daqui, como já contei em várias postagens anteriores.  A importante conquista da bolsa CNPq para o doutorado, com a tal taxa de bancada para subsidiar meus gastos, que já permitiu diverso...