#104: Se Gritar Pega Ladrão
Estou de volta ao Brasil e à (a)normalidade dessa vida de doutorando. Ao menos no trabalho, o clima está tranquilo. Atualizei o chefe das atividades realizadas por lá, enquanto tento ajudar Jessica a colocar as disciplinas do mestrado dela em dia. Agora tenho muito o que fazer aqui pelos próximos meses, para concluir efetivamente este doutorado.
Do panorama mais amplo, é um pouco diferentes. Durante o tempo que estive fora, dois ex-governadores do Estado (falido por eles!) do Rio de Janeiro estão atrás das grades: Sérgio Cabral e Garotinho. O (ex ?) pastor Crivella foi eleito como Prefeito do Rio de Janeiro, contra Marcelo Freixo. Vitória perigosa da Igreja Universal, em momento de tanta intolerância. O golpista (presidente?) Temer é eleito "Homem do Ano" por revista enquanto executa seus planos de destruir a educação básica, os direitos trabalhistas e de vender (chamam de privatizar, né?) as riquezas do país. É muita dureza voltar para casa debaixo disso tudo. E nem falei do meu Flamengo que ainda bateu na trave do título de Campeão Brasileiro...
Apesar de toda essa confusão, confesso que já sentia falta daqui. Da língua, da comida, da música, da água, da família, do trabalho e até um pouco do calor (mas só um pouco!). É uma mistura de saudade, revolta e esperança.
Para passar o tempo aqui em casa, enquanto tentamos recolocar tudo em ordem, o vício da vez tem sido o seriado brasileiro "Vai Que Cola", que conta as peripécias de um grupo de trambiqueiros que vivem no coração do subúrbio carioca, o Méier. Os personagens são ótimos, como o Valdomiro e a Terezinha, representados pelos hilários Paulo Gustavo e Cacau Protásio. E grandes personagens são irresistíveis. Talvez esse bom humor seja a forma mais brasileira de contornar as dificuldades que nos aprontam. Como diz a genial canção de Bezerra da Silva na abertura do programa, que tão bem sintetiza esta nação: Se gritar "Pega! Ladrão!"...
"Você me chamou para esse pagode, e me avisou: "Aqui não tem pobre!"
Até me pediu pra pisar de mansinho, porque sou da cor, eu sou escurinho...
Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores, até magnata
Com a bebedeira e a discussão, tirei a minha conclusão:
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um"