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#076: Pra Tudo Acontecer

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Pensando em uma breve retrospectiva, foi muito difícil este último ano que termina. Muito trabalho que gerou muito poucos resultados, o declínio da já limitada estrutura da UFRJ, a frustração da bolsa sanduíche negada, temporada difícil para o meu Flamengo, a perda do amigo de laboratório Pedro, as bobagens e absurdos que tive que ouvir e viver em cada dia que se passou.  Muitas mudanças de planos duras e indesejadas. Mesmo assim, todo  7x1 tem o seu gol de honra. Viajei para diversos lugares em 2015, como Brasília para visitar a família,  Penedo e  São Paulo de passeio com Jessica, e para Bogotá na escola do PREFALC. Conheci pessoas muito legais, consegui me reaproximar de outros antigos amigos e ainda teve a volta do Rene à Universidade depois de seu sanduíche. Mas esse único gol, esquecido depois da goleada, ainda foi pouco. Durante esse ano, fui a três shows da banda Suricato. O último deles nesse último dia de  2015, na festa de Reveillon em Copaca...

#075: Tempo Perdido

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Uma notícia ruim parece só se tornar verdade ao contarmos para outras pessoas. Tenho tentado adiar ao máximo contar às demais pessoas que meu pedido de bolsa doutorado sanduíche foi negado.  Apesar dos avaliados científicos do projeto terem se mostrado favoráveis, inclusive com diversos elogios ao orientador no exterior e à pesquisa proposta, a justificativa que recebi do CNPq foi  "Sua proposta não pode ser atendida frente à disponibilidade de recursos para esta demanda.". Não apenas eu recebi essa resposta, como a mesma foi padrão a todos (isso mesmo, todos!) os inscritos. Nenhuma bolsa foi conferida, o que é uma falta de respeito aos estudantes e pesquisadores que disponibilizaram de tempo para escrever as propostas e tudo mais. Era melhor fossem honestos e que não tivessem aberto o edital, mas, no Brasil, as aparências e políticagens vem sempre mais importantes. O que sinto é uma mistura de fracasso e vergonha. Não é nada fácil. Havia muita coisa em jogo aqui. Pl...

#074: Naquela mesa

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Há mais ou menos cinco anos atrás, perdíamos, em um terrível acidente de trânsito, nosso amigo Erick Libório. Voltávamos para nossas casas conversando e brincado, depois de um dia de Universidade. Atravessava a rua quando fora atingido por um ônibus e não resistiu. As semanas seguintes foram os tempos mais difíceis de toda a graduação. Erick foi a primeira pessoa com quem falei ao entrar na UFRJ (descontando os conhecidos do tempo de Cefet-Química). Nos conhecemos na fila da matrícula enquanto ele reclamava dos pernilongos, indagava se eu gostava de Slipknot e contava que deixara uma oportunidade de jogar no Madureira para fazer faculdade. Sua presença em nossas vidas foi extremamente intensa, com seu implacável senso de humor (e até mesmo de bullying ), inteligência e humanidade acima da média. Passamos por coisas incríveis juntos, como quando assistimos a final do Campeonato Brasileiro de 2009 em um telão na rua. Na época, iniciávamos um projeto musical bastante peculiar juntos,...

#073: Can't Stop

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Sempre consigo fazer meus painéis para congressos com alguns dias de antecedência. Dessa vez, bem, dessa vez foi diferente.  Resolvi conseguir alguns resultados novos para levar ao SBQT e os cálculos não saíram exatamente como eu planejava. Às vezes o cálculo que parece mais trivial simplesmente resolve não convergir. E assim aconteceu. Depois de muita briga, consegui os valores de energia e intensidade que precisava para plotar o espectro e, assim, fazer a figura que completaria o painel já no final da tarde desta quinta-feira. Não pareceria tão de última hora assim se não fosse o fato de que comecei a fazer o cartaz quando cheguei ao laboratório pela manhã. Assim como comecei os cálculos nessa mesma manhã. E que amanhã é feriado. E a primeira coisa que fiz ao chegar na faculdade foi passar na gráfica e perguntar até que horas eu poderia entregar o arquivo do painel para ser impresso ainda hoje. E entregar quase meia hora depois do horário combinado. No estilo  Jack...

#072: A Day In The Life

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Hoje é um dos provavelmente piores dias de toda essa minha Trilha de doutorando. É até difícil de escrever sobre isso. Talvez fosse mais fácil não colocar aqui, para poder fingir que nunca aconteceu, mas não seria honesto como este registro se propõe a ser. Escutei diversas coisas que nenhum estudante/profissional deveria escutar de seu chefe. Fui questionado se trabalhava durante a noite, de madrugada, fim de semana, feriados. Se trabalho dez horas por dia. Do motivo de não conseguir concluir determinados projetos.  Ouvi que tudo que tenho feito é muito pouco. Que não deveria me dedicar aos trabalhos em colaboração e só a própria tese. Que preciso estudar mais, escrever mais, programar mais. Que não consigo lidar com grandes problemas que aparecem. De que desse jeito não vou conseguir passar num concurso e vou ser um fiasco se conseguir a bolsa sanduíche. Que sou uma grande decepção e que meu auge já passou. Até fui comparado à outras pessoas, inclusive ao próprio meu ori...

#071: Karma

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Nos últimos dias fiquei ajudando (ou você quis dizer “trabalhando”) minha namorada Jessica nos preparativos finais para sua defesa de Trabalho de Conclusão de Curso de 'Bacharelado em Química’. Minha contribuição nesta vai desde o LaTeX do texto até a construção da  apresentação no Keynote, refeita praticamente inteira depois da primeira prévia. O resultado final dessa defesa, em meio à espectroscopia do Azul da Prússia e seus muitos análogos, foi bastante positivo. Fico feliz de ter podido contribuir com essa etapa importante da carreira de uma das pessoas mais importantes da minha vida.   Da canção desta parte da Trilha, fica uma canção da Joss, Karma , do ótimo disco LP1. Porque a Joss me lembra Jessica, e vice-versa.   Depois dessa maratona, de muitas noites mal dormidas, vamos tirar alguns dias para...

#070: Wouldn't It Be Nice

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Lucy acordava para mais um domingo, 13 de outubro. “Como se fosse a primeira vez” é uma comédia romântica com Drew Barrymore e Adam Sandler. Gênero que, obviamente, não faz parte da minha predileção cinematográfica. Entretanto, esse é o filme favorito da minha irmã Gabriela e, por esse motivo, eu já vi muitas e muitas vezes. Ao contrário da Lucy, eu me lembro dessas vezes quase todas. Na última sexta-feira, ela completou 18 anos. Tem sido uma época de muitas mudanças, com a entrada na Faculdade de Letras, as novas responsabilidades, caminhos e tudo mais. Tento ajudar com todas as minhas experiências nestes muitos anos de UFRJ. Meu trabalho tem sido prepara-la para a vida sem mim, no caso de sair a bolsa sanduíche e tal. Está se saindo bem, até mais do que eu poderia esperar. Parabéns para ela! “Wouldn’t It Be Nice” faz parte da história do filme, sendo a trilha dos pais da Lucy, que acabou pasando para o casal formado por ela e o Henry. Numa cena, é cantada por ele enquanto ...