#049: Um Tanto
Eu entrei nesta Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2006, como graduando em Química com Atribuição Tecnológica. Na mesma realizei meu Mestrado em Química, iniciado no ano de 2011. Antes dessas duas aventuras, fiz meu Ensino Médio e Técnico em Meio Ambiente no CEFET-Química, iniciado em 2003. Ainda antes disso, parte de meu Ensino Fundamental foi realizado no Colégio Pedro II, entrando em 1999. Assim sendo, são praticamente 16 anos de estudo em instituições públicas federais.
Nessas anos todos eu vi muita coisa acontecer com essa país e como os governos lidaram com a educação no mesmo. Vi desde a empolgação e a esperança na primeira eleição de Lula às expansões destas entidades. Não venho defender cegamente o que acontece. Sempre fui crítico do excesso de expansões em detrimento à criação de novas escolas e universidades. Tão importante quando permitir o acesso de mais pessoas à educação de qualidade para o desenvolvimento socioeconômico do país é manter a qualidade das ferramentas já existentes e aplicar esforços em novas unidades, com filosofias e administrações diferentes e, até mesmo, mais modernas.
Por outro lado, os setores de educação, ciência e tecnologia receberam mais cuidados e (objetivamente) financiamentos que em qualquer outro momento dos nossos poucos 515 anos de história. Ainda que não da forma mais adequada, pudemos caminhar em busca das melhorias de qualidade e de acesso para todos.
Na data em que escrevo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, (que ainda acredita ser) uma das melhores universidades do Brasil, está com seu funcionamento completamente comprometido. A empresa terceirizada responsável pela manutenção da limpeza do campus suspendeu (ilegalmente) o pagamento dos funcionários por atrasos no repasse de verbas da UFRJ, que teve, por sua vez, seus fundos comprometidos por medidas de cortes orçamentários do Governo Federal. No Instituto de Química, seguimos para a segunda semana sem qualquer acesso à rede de computadores (tanto interna quanto à internet), causada por falta de estrutura e (principalmente) irresponsabilidade de seus usuários. A falta de rede pode não significar nada para alguns dos funcionários mas é equivalente à falta de energia elétrica para nós da área de Química Teórica.
O cenário é uma mistura grotesca de Ensaio Sobre a Cegueira e O Náufrago. Ótimos filmes, aliás. Recomendo.
No meio de uma das maiores crises que já vi em qualquer uma destas instituições de ensino (e olha que tiveram greves e mais greves), ficamos nós, alunos de pós-graduação sem qualquer direito trabalhista. O CNPq, que fornece a minha bolsa de doutorado, pouco irá se interessar de a UFRJ não ter cumprido com a contrapartida estrutural que diz respeito à sua participação na minha tese, quando for cobrar seus prazos e as publicações resultantes da mesma. Mais do que isso, toda a comunidade científica pouco se importa com a nossa situação e vai continuar trabalhando independente dos nossos (patéticos?) problemas de Terceiro Mundo.
Sendo bastante sincero, isso é muito difícil. Passei os últimos meses me dedicando à uma avaliação antiquada e questionável exigida por esta Universidade que agora, quando me reabasteço de energias para voltar ao trabalho, simplesmente vira suas costas. Tenho muito para fazer. Muitos objetivos e sonhos. É difícil não ser vencido por isso tudo mas não vai ser dessa vez que isso vai acontecer.
Quanto à trilha, a banda carioca Suricato e seu folk com tudo-que-é-música-boa como influência vem me fazendo companhia nas viagens de trem e BRT por aí. Letras elaboradas (e raras) na música de hoje, sem ser apenas uma reprodução da MPB aclamada (e, literalmente, idolatrada). Composições e, principalmente, execuções impecáveis. Esperam que consigam ir longe com muito mais discos depois deste Sol-Te.
Descobri que tudo que aprendi foi errando feio.
"Descobri que tudo que aprendi foi errando feio
Tanto tempo esperei pra ser feliz
Como agora mais de dentro que pra fora"
Tanto tempo esperei pra ser feliz
Como agora mais de dentro que pra fora"