#047: Rather Be
Algumas canções chegam até esta trilha de forma curiosa (diria até inexplicável). Rather Be é exatamente um desses casos. Sei que quando estiver me lembrando desta etapa do doutorado, gostaria de lembrar desse clipe passando nos canais de televisão. Depois de vencido o EGC, fico um pouco mais leve para este voo da formação acadêmica. É um pouco de como me sinto quando vejo essa menininha oriental percorrendo a cidade de bicicleta com essa batida acolhedora no fundo.
Por outro lado, parece que o laboratório ficou de cabeça para baixo no tempo que estive fora. É hora de trabalhar para colocar máquinas antigas para voltar a funcionar e máquinas novas para fazerem suas estréias. E também é hora de colocar os projetos de volta aos seus trilhos!
Não sei se ouvirei falar dessa Clean Bandit em alguma outra canção, muito menos se fará parte da minha trilha novamente. E isso é bem legal. A música pop tem um lado bacana nisso. Gente que chega, só emplaca uma única música mas faz seu som chegar em vários lugares. Não vão ser todos os artistas que vão se reinventar a cada disco, como fizeram os Beatles nos anos 60 ou como faz o Opeth nos dias de hoje. Às vezes, a contribuição deles vai ser uma única canção. E ela pode ser muito boa, e fazer parte da trilha de várias pessoas. Ser lembrada e ser esquecida.
Ainda que tenha o espírito competitivo e que, muitas vezes, uma canção não vá nada além da cópia de alguma tendência lançada por um novo artista ou mesmo por um grande ícone, a música pop apresenta algumas lições interessantes para movimentos musicais que se veem morrendo pela falta de inovação e de capacidade de atrair novos fãs. O público está sempre aberto às novidades. Não chegam com duas pedras nas mãos para alguém novo que apareceu (fazendo algo novo ou não). O investimento e a produção podem fazer alguém aparecer e até se manter por um tempo, mas não bastam para construir uma carreira de sucesso. Não é possível controlar todos os fatores quando um deles depende de cada ser humano e sua forma de se relacionar.
Você pode ter só uma única ideia boa a vida inteira. Depende (também) de você fazer que ela seja lembrada ou esquecida. De fazer com que sirva de inspiração para outras ideias que virão depois ou que faça parte da trilha de outras pessoas. Não é demérito. Cada um existe deve contribuir da sua maneira e não existe a gradação de mais ou menos certo para isso. São as particularidades de ser.
Isso às vezes parece tanto com o meio científico que até me esqueço sobre o que comecei escrevendo sobre.
"If you gave me a chance
I would take it
It's a shot in the dark
But I'll make it
Know with all of your heart
You can't shame me
When I am with you
There's no place I'd rather be
N-n-n-no, no, no, no place I'd rather be"