#048: Música Urbana

O mês de Fevereiro tem sido dedicado à colocar em ordem os trilhos do meu trabalho e, naturalmente, também descansar um pouco. Para isso se serve o Carnaval. Aqui no Rio de Janeiro, isso de se desenvolve de tal forma que ou você vai para a rua ou foge dela. 

Esse ano acabei arrumando uma fuga bastante curiosa e fui com o pessoal daqui de casa para Brasília visitar a família de um irmão do meu pai. Foi a primeira viagem que fizemos juntos desde sempre e isso foi bem legal. É revigorante desde as próprias relações entre as pessoas até a forma de organizar e cuidar das coisas. A pior parte foi encarar meia dúzia de discursos anti-PT, pró-Aécio, de Meritocracia, de Família Tradicional e de Conservadorismo que nada combinam com as minhas convicções, seguidos de declarações (nada) geniais de falta de apreço pelo estudo e pela busca do Concurso Público para poder ficar tranquilo na vida.

Coincidentemente, semanas atrás levei minha irmã e namorada ao show da brasiliense Capital Inicial aqui no Rio. Foi o primeiro show deles que eu assisti e foi uma longa espera, levando em conta que fizeram parte da minha Trilha de Ensino Fundamental no Colégio Pedro II. Naturalmente que foi uma noite bastante especial (com tudo que é letra cantada do começo ao fim) e que merece ser registrada aqui. O álbum Acústico MTV, em especial, fora o renascimento da banda no cenário nacional e um dos que mais escutei em toda a minha vida. Arranjos impecáveis, instrumentos com belos timbres e canções matadoras. Sem dúvida, o disco inteiro faz parte da Trilha da minha vida, nos mais diversos momentos dela.

Trabalhar no Carnaval não foi tão possível pois o Fundão pareceu estar sem rede e/ou eletricidade durante todos os dias do feriado. Aproveitei para estudar para o meu curso de Termodinâmica Estatística no Coursera e outras aleatoriedades de computadores e leituras que estão sempre pendentes de serem feitas.

Curioso é pensar como as músicas e atitudes dessa galera dos anos 80 se faz tão necessária no Brasil de hoje, que se vê é ameaçado por uma multidão de jovens conservadores e inertes, que acreditam que a Mão Mágica do capital vai fazer toda a Máquina girar sozinha e que o quanto menos a população puder participar, melhor. Não tenho mais paciência de ouvir os piores alunos que conheci na vida dizendo que o professor de história mentiu pra eles. 

Tá certo, jovem. Acredita apenas no que o seu papai conservador e machista (que te banca) diz. É o Rei Soberano da sua casa e você não vê a hora de ser o Rei da sua também para agradar à ele. E vocês precisam mesmo defender a Família, único lugar onde ainda podem impor suas próprias regras fundamentalistas e sem qualquer democracia, já que todos os outros grupos parecem estar infectados com essa bobagem de Direitos Humanos.


"Tudo errado, mas tudo bem
Tudo quase sempre
Como eu sempre quis
Sai da minha frente
Que agora eu quero ver

Não me importam os seus atos
Eu não sou mais um desesperado
Se ando por ruas quase escuras
As ruas passam"

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