#094: Aquele Abraço

Nos últimos dois anos, o Rio de Janeiro, cidade na qual nasci, vivo e trilho esse doutorado, recebeu os dois maiores eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e, desde ontem, os Jogos Olímpicos. É um barato estes eventos históricos para o país fazerem parte desta Trilha.

Muito investimento foi feito para que fossem realizados os Jogos. Muita grana dos cidadãos para construir as Arenas Olímpicas e centros de treinamento, mas também convertidas em outras melhorias, como novos aparelhos de trânsito, representados pelos BRTs, VLTs e novas linhas de Metrô. A revitalização de toda a zona portuária da cidade, marginalizada por muitos e muitos governos antes. Se essas foram as melhores escolhas, bem, vou deixar essa discussão para outro momento.

Minha Universidade também tem ligação direta com os Jogos. Não apenas recebeu investimentos para a construção dos campos de treinamento de Rugby e Pólo, como o Instituto de Química, do qual faço parte, é responsável pelos testes de doping, realizados no Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD). Um enorme prédio foi construído para as instalações do laboratório, que deve realizar milhares de análises por dia. Novos recursos que farão parte do Instituto, como legado dos Jogos. Também não vou entrar no mérito das dimensões e condições deste investimento e das contratações de profissionais. Tenho que controlar um pouco a crítica para cumprir o objetivo desta postagem.

O resultado disso tudo são duas semanas de férias forçadas, uma vez que o trânsito no Rio está de pernas pro ar, principalmente na Ilha do Fundão. Tá, vai, nem tão forçadas assim. Com o caos total que foi a mudanção e casamento no começo do ano, meu corpo tem, de fato, pedido esse descanço. Descanço questionável também, uma vez que tenho é que escrever um monte de artigos que estão acumulados e tenho que resolver ainda no durante o doutorado.

Ontem aconteceu a abertura dos Jogos Olímpicas, aqui no estádio do Maracanã. Foi uma festa muito bonita. Simples, sem exageros de luxo ou tecnologia, como costumam ser. Honesta com a história do Brasil, de suas grandes pessoas, da nossa realidade e, principalmente, da nossa música. Simplesmente a melhor interpretação do Hino Nacional já feita, por Paulinho da Viola. Villa-Lobos, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Jorge Ben Jor, com direito ao encerramento com Gilberto Gil e Caetano Veloso no palco. Mostramos o que temos de melhor, no nosso português, para todo o mundo ver e conhecer. O Brasil, em uma versão verdadeira e honesta, diante de todos os olhos e ouvidos do planeta. Aqueles momentos que você fica, de fato, orgulhoso de ser brasileiro.

Estão iniciados os Jogos Olímpicos de 2016. Nas duas próximas semanas, irei dividir as atenções entre os muitos esportes na televisão e os artigos na tela do computador. E, bem, e o Rio de Janeiro continua lindo.


"O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro, fevereiro e março

Alô, alô, Realengo
Aquele abraço!
Alô torcida do Flamengo
Aquele abraço"

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