#043: Really Don't Care
Quando terminei o mestrado, estava muito animado que teria mais quatro anos de pós-graduação pela frente. Havia tanta coisa para aprender e para produzir. Haviam muitos e muitos planos. Só não imaginava estar tão enganado quanto a tranquilidade desse percurso.
O doutorado tem sido sim uma experiência bem mais complexa do que o mestrado. O degrau final da formação científica ganhou um peso muito maior do que pude imaginar. Isso tudo dado não por uma grande mudança na pós-graduação ou no meu projeto de pesquisa mas na minha própria forma de encarar esta etapa da carreira, seus objetivos e das relações de trabalho.
Hoje sou uma pessoa muito diferente da que começou esse doutorado. "Tanto no pessoal quanto no profissional". Percebi que não posso me acomodar. Que precisava querer mais do que nunca quis antes. Querer mais do que o meu próprio orientador e a própria pós-graduação esperam de mim. Que não me basta mais um desafio técnico. Não podemos admitir desperdiçar anos de construção de uma sólida base em físico-química para resolver apenas problemas científicos periféricos e burocracias de uma Universidade engessada.
É hora do desafio científico, de romper as barreiras do conhecimento buscando o que realmente pode fazer a diferença. É hora de conhecer o Mundo e como a ciência funciona do lado de fora das paredes do Instituto de Química. De buscar se tornar mais do que um cientista competente e sim um que pode realmente fazer a diferença neste país. É preciso se tornar aquele que todos vão dar ouvidos e respeitar, porque simplesmente ter a razão nunca fez alguém conseguir mudar as coisas.
Em meio a esses questionamentos, passo dias entre estar completamente apaixonado pelo que leio e produzo e odiar o doutorado mais que qualquer coisa na vida. Dias de ir feliz para a Universidade comemorar as conquistas do ano com os amigos e pessoas queridas do Instituto e discussões violentas com o orientador por acreditar que não está agindo de forma correta com todos os alunos. Aliás, tenho aprendido a manter a minha posição sobre essas questões interpessoais, que foram tão complicadas e turbulentas durante todo o ano, e visto que, no fim, fazer a sua parte, agir de forma ética e correta, pode fazer as pessoas terem que concordar com você, mesmo quando é mais cômodo manter as antigas convicções e pontos de vista.
São os dias de insônia de um Exame Geral que parece que não anda.
Essa música tem um motivo especial de estar aqui. A Demi é a artista favorita da minha irmã, Gabriela, que nesses dias se formou no Ensino Médio. Uma das etapas mais importantes da vida, onde temos que tomar as primeiras grandes decisões sozinhos, lidar com muitas mudanças e entender como o Mundo nunca para de girar. Curiosamente, com essa música ela subiu ao palco para receber seu diploma. É hora de não se importar com o que os outros que não valem a pena.
"But even if the stars and moon collide
I never want you back into my lifeYou can take your words and all your liesI really don't care."