#042: Rime of The Ancient Mariner

Na última semana aconteceu o XL Congreso de Químicos Teóricos de Expresión Latina (QUITEL), realizado em San Cristóbal, Equador. Um evento bastante curioso, onde cada um fala a sua língua nativa (ou não!) e, no fim, todos se entendem! 

Essa foi minha segunda viagem internacional. A primeira foi para o WATOC no Chile, que contei algumas postagens atrás. Não poderia haver apelo maior para um congresso do que acontecer nas Ilhas Galápagos onde, em 1835, Charles Darwin fez sua tão famosa expedição que serviu de inspiração para o livro A Origem das Espécies, onde introduz o conceito da evolução dos seres vivos. Provavelmente o trabalho mais importante das ciências biológicas, quebrando uma porção de paradigmas presos ao pensamento religioso, e originado da observação da diversidade natural das Ilhas.

Primeiro passamos alguns dias em Quito, a capital do Equador, e seus 2805 metros de altitude. E altitude é de verdade, para quem não acredita. Você sobre um jogo de escada de uma dúzia de degraus e está bufando como se tivesse corrido dois quarteirões atrás do ônibus. É a capital mais antiga da América Latina, cheia de história e de peculiaridades, além de um clima completamente maluco que contém todas as estações do ano em um único dia!

Mas voltando as Galápagos, acredito que posso chamar essa experiência de "turismo científico". As iguanas marinhas, tubarões, atobás da pata azul, pelicanos, os simpáticos e quase domesticados lobos marinhos, além da enorme diversidade de vegetação, que varia rapidamente da praia e mangue para o árido e depois as matas verdes quase tropicais, a medida que se sobre nas ilhas. Sem falar das incríveis tartarugas gigantes, que dão nome às Ilhas, e proporcionaram a experiência mais próxima do Parque dos Dinossauros que provavelmente terei na vida. Importante aqui o "provavelmente", vai saber o que nós, cientistas, ainda vamos aprontar, né? Foi muita aventura para um congresso só, incluindo o translado entre as ilhas, de duas horas de lancha em alto mar e muito, mais muito, enjoo.

Agora ao Congresso, que foi muito legal! O evento tem realmente um espírito particular, que mantém seu motivo de ser tão especial. Além disso, conhecer novos cientistas e, até, ficar mais conhecido de alguns deles a partir da convivência no mesmo. Vi coisas bastante interessantes lá e, mais uma vez, só alimentam minha vontade de passar uma parte do doutorado fora do país.

Agora preciso trabalhar nisso. No processo de convencimento do orientador e no processo de sobrevivência ao famigerado Exame Geral de Conhecimentos. Enquanto isso, vivo a correria tradicional da resposta de um artigo que voltou e dos problemas inesperados das máquinas do laboratório. Mas vai dar tudo certo!

A música que fica na trilha é homenagem a um professor curiosamente parecido com o Bruce Dickinson e suas camisas floridas. E, curiosamente, não fui a única pessoa que percebeu isso. Obviamente, Iron Maiden foi a trilha cantarolada em boa parte da viagem!


"The albatross begins with its vengeance
A terrible curse, a thirst has begun
His shipmates blame bad luck on the mariner
About his neck, the dead bird is hung

And the curse goes on and on and on at sea
And the thirst goes on and on for them and me"

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