#089: Ainda É Cedo
Eu ando numa vibe musical muito peculiar e vou tentar contar um pouco sobre ela hoje.
Ainda não me adaptei muito a ouvir música no novo caminho (e muito mais curto!) para a Universidade e nem durante as sofridas idas à academia. Tenho mesmo ouvido mais música em casa e no trabalho, o que acaba restringindo a playlists em canções mais leves e que privelegiem a concentração. Isso tem resultado em poucas e, digamos, aleatórias aparições nesta Trilha.
Não apenas isso mas uma verdadeira conjunção de fatores me trouzeram de volta às essências do rock nacional. A possibilidade (frustrada, como já foi contado antes) de passar um tempo fora do país durante o doutorado aflorou um pouco a relação sentimental com a música daqui da minha terra. As lembranças de adolescência e das primeiras músicas cantadas e tiradas no violão. A proximidade das boas letras de canções cantadas na sua própria língua (e a saudade que fazem no cenário musical atual).
Poucas bandas representam tão bem tudo isso que eu falei quanto a Legião Urbana. De fato nunca tive muita paciência com o fanatismo de certos companheiros de adolescência, uma vez que o Renato Russo não é lá um grande cantor, ainda que um incrível letrista, e que os demais membros da banda sejam músicos, no máximo, razoáveis (tanto que não produziram nada relevante depois da perda de seu mentor). Minha formação musical de berço e de estudo sempre me fez um pouco crítico com a simplicidade de certos ícones e talvez tenha levado muito tempo para entender o valor de se conseguir levar mensagens aos grandes públicos. Às vezes também, nossa própria maturidade é necessária para a compreenção das letras.
Mais uma vez, também é esse um desafio aos cientistas, de saber levar ideais sofisticadas e inovadoras aos ouvidos de toda a população e não apenas de sua comunidade. É um trabalho muito importante, pouco estimulado e construído, além de um talento natural que poucos possuem.
Da vida, sigo tentando me adaptar a essa nova rotina de casado. Ainda aparecem algumas novidades que me impedem de render no trabalho como gostaria, mesmo que esteja andando melhor do que na época da mudança. Falta concentração para organizar alguns resultados e colocar ideias no papel (que é sempre um problema que preciso trabalhar melhor, né?). Até já aprendi a cozinhar uma coisa ou outra, algo que queria faz tempo.
Ainda é cedo não tem um motivo lírico total para estar aqui, já que a letra não tem a ver com a minha Trilha, mas me peguei cantarolando-a por aí esses dias. O refrão, por sua vez, simples e de um rock n' roll verdadeiro, tem muito a ver com esse momento em que se aproxima a reta final do doutorado. Sim, o último ano! E tanto já foi feito e um tanto mais ainda falta se fazer.
Assim, estou tramando algo grande para os próximos passos desta Trilha. Uma cartada final para uma grande realização no último ano de doutorado. E não vou desenrolar mais nada sobre por agora. Vou aprontar uma novidade e deixar um cliffrange inspirado pelo (maldito!!!) George R. R. Martin. Quem sabe os próximos passos não tragam um gostinho d'Os Ventos de Inverno? Ainda é cedo.
"E eu dizia
Ainda é cedo
Cedo, cedo
Cedo, cedo"