#061: Me Vuelvo Guajiro
Últimos momentos em Bogotá, Colômbia. Foram incríveis dezesseis dias por aqui, livres do estresse rotineiro da vida sucateada no Fundão. Conhecer novas pessoas, estudar novos assuntos, refrescar mentes e corações.
Já descrevi um pouco das atividades e aventuras que tiver por aqui mas algumas pessoas ainda merecem uma registro por aqui. São elas o professor da Université de Bordeaux, Alain Fritsch, e o pessoal do hostel Casa Quevedo, onde fiquei hospedado por todos esses dias com meu amigo Fantuzzi. Ambos passaram uma mensagem muito positiva sobre a vida e sobre nosso papel na sociedade.
Professor Alain foi responsável pela parte inicial de revisão de Mecânica Quântica da escola do PREFALC. Notadamente as melhores aulas que já assisti sobre esse tema, por sua clareza, objetividade e excelente qualidade dos slides apresentados. Não poderiamos imaginar que o francês que iniciava o curso de terno e gravata estaria usando uma camisa florida e comendo uma "hamburguesa de la muerte" nos maiores pés-sujos de Bogotá conosco, apenas alguns dias depois. Um cara muito simples e livre dos excessos de burocracias e preciosismo dos acadêmicos daqui da UFRJ (que tanto me saturam ultimamente). A vida pode (e precisa!) ser mais leve assim.
Quanto ao pessoal do Hostel Casa Quevedo (que sou péssimo para me lembrar dos nomes), outras lições de simplicidade. Ao nos despedirmos, nos convidaram para dividir uma garrafa de rum e trocar algumas canções brasileiras por canções latinas. A mensagem que deixaram sobre o negócio era bem simples: gostavam de receber e conhecer boas pessoas e queriam que todos se sentissem em casa (e queriam mais isso do que o nosso dinheiro). Não era só uma demagogia isso. Ficava muito claro no dia-à-dia que era assim mesmo que as coisas funcionavam e que todos eram muito felizes assim.
No meio dessa divertidíssima despedida, "Me Vuelvo Guajiro" foi uma das canções apresentadas. Segundo o pessoal da pousada, remetia ao sentimento de que a função de todo ser humano era, um dia, regressar à vida simples no campo. Não poderia ter trilha mais oportuna para esse momento e essa experiência. Agora é voltar ao Brasil e trabalhar duro, sem não deixar para trás esses aprendizados!
"Me estoy volviendo Guajiro
Y me llaman Isidro
Al escuchar este son
Este son tan bonito
No lo bailo pero lo canto
porque yo lo siento al fondo de mi alma como si fuera un hijo
yo lo quiero y lo admiro, por eso yo canto esta canción tan llena de amor.
Siento, siento, yo siento tanta alegría al cantar este son."