#033: Tá Escrito

Sete a um. 

A Seleção Brasileira de Futebol é escorraçada dentro da própria casa na semi-final contra a Seleção Alemã. Perder seria um resultado até normal, uma vez que a Alemanha tem, de fato, uma equipe muito superior à do nosso país. Porém, uma goleada absurda deixa claro que muita coisa temos que mudar. Para mim, na verdade, é curioso ver como a situação do futebol se assemelha com algumas encaradas por mim nas reuniões da pós-graduação.

O primeiro passo em busca da evolução seria admitir que estamos ultrapassados, especialmente na formação de jogadores e na tática. E o primeiro passo já parece impossível. O discurso nacionalista de que "ainda somos muito bons e não precisamos aprender nada com ninguém de fora". Às vezes até me confundo se estou falando da UFRJ ou da CBF aqui.

Durante muito tempo, jovens saindo cedo do país eram um sinônimo do nosso sucesso. Iam brilhar nos times europeus, aprender como faziam as coisas por lá e assim tínhamos uma seleção forte. Agora os velhos picaretas que muito já enriqueceram com isso mudam de discurso, alegando que esses não aprendem mais a fazer da forma 'brasileira'. Estupidez nacionalista maior que essa é impossível.

Pensando ainda nesse ponto de vista da exportação de jovens talentosos, tenho certeza absoluta que ainda ouvirei essa mesma mudança de discurso de professores da UFRJ que hoje defendendo com unhas e dentes o Ciência Sem Fronteiras. E isso vai acontecer quando se virem sem mão-de-obra qualificada para a pesquisa em nível de pós-graduação, já que os que saíram do país interessados nisso tiveram contanto com outra realidade e não vão querer voltar para essa. Nos dois casos, estão certos os jovens que vão correr atrás de suas carreiras nos lugares que lhes dão as ferramentas para isso.

Não dá para concordar porque está tudo errado. Está aí uma Seleção jogando um futebol ultrapassado e de gerenciamento nada profissional. Jogadores mantidos titulares baseados em camaradagem ou semelhança de idealismos ao invés do mérito e dedicação. Lembra até história de concursos públicos e promoções, não é mesmo?

Por outro lado, é essa Alemanha destruidora que deveria servir de exemplo. Assim como o Estados Unidos, que se espelha no seu modelo de regeneração para começar a trilhar o seu caminho de sucesso nesse esporte. E, bem, nem precisa falar dos exemplos que os dois deveriam ser na ciência.

Gosto muito do meu país mas, de fato, anda muito difícil ter expectativas por aqui. Ainda mais se você gosta de ciência e futebol.

No meio desta reflexão do momento desse Brasil, nos resta seguir em frente sem tentar desanimar. Antes do início da Copa, eu e minha irmã pensávamos que esta seria uma música cantada pela torcida. Agora, depois do Mineiraço, chega a ser curioso como esse pagode do Revelação serve bem como nosso novo hino.

É, aqui nessa trilha não tem rótulos. Importam mesmo os momentos, as lembranças e as motivações! Ainda mais com uma canção tão brasileira. Bola pra frente!



"Às vezes a felicidade demora a chegar
Aí é que a gente não pode deixar de sonhar
Guerreiro não foge da luta, não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer

Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar!"

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